INAUGURAÇÃO – MUSEU DO AMANHÃ

MUSEU DO AMANHÃ: CONHEÇA O PROJETO OUSADO E SUSTENTÁVEL

A partir do dia 19 deste mês, o Museu do Amanhã, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, abre suas portas para o público, com entrada gratuita por 32 horas. O projeto futurista é do arquiteto espanhol Santiago Calatrava.

Serviço:
Funcionamento: De terça a a domingo, de 10h as 18h (última entrada para exposição 17h)
Entrada gratuita às terças
Ingressos: R$ 8 (meia-entrada R$ 4). Pagamento em dinheiro ou cartão (Visa ou Mastercard)
Mais informações: museudoamanha.org.br

Prepare-se para entrar no futuro. Será inaugurado no próximo dia 17 o Museu do Amanhã que vai oferecer experiências sensoriais aos visitantes. Tudo começa com uma imersão coletiva na área batizada de Cosmos e prossegue em outros quatro espaços da exposição principal: Terra, Antropoceno, Amanhã e Nós. Mas a própria arquitetura é uma das atrações que leva a refletir sobre o que está por vir. O prédio escultural, erguido no Pier Mauá, como uma das ancoras do Porto Maravilha – um projeto de requalificação da região portuária do Rio de Janeiro –, foi concebido pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo que desenhou a Ponte da Mulher na área portuária de Buenos Aires, capital da Argentina.

O edifício de 15 mil m² tem dois andares conectados por rampas, que facilitam o acesso e a circulação, e é cercado por espelhos d’água, ciclovia e equipamentos de lazer na área de 30 mil m². O design arrojado do prédio exigiu uma obra complexa. Para calcular a estabilidade da cobertura metálica, que avança em dois grandes balanços em direção à praça e sobre o espelho d’água, foram realizados ensaios por técnicos em túnel de vento, o que garantiu a dinâmica correta. A forma curva e longilínea moldada com concreto teve como objetivo respeitar e deixar visível o conjunto arquitetônico do entorno – o Mosteiro de São Bento, importante construção barroca do país; o edifício A Noite, primeiro arranha-céu da América Latina e sede da Rádio Nacional; o Museu de Arte do Rio – MAR. O primeiro andar abriga o auditório com 400 lugares, área para mostras temporárias, cafeteria, restaurante e loja. O segundo, sob a cobertura de 10 m de altura, dedica-se à exposição de longa duração e oferece vista panorâmica para a Baía de Guanabara.

Orientações de sustentabilidade

Além da vista para o entorno, o projeto do Museu do Amanhã privilegia a entrada de luz natural em todo o edifício: grandes aberturas com vidro em esquadrias retangulares ocupam as fachadas e em esquadrias triangulares, as laterais. Focada na sustentabilidade, a arquitetura busca a certificação LEED (Liderança em Energia e Projeto Ambiental), concedida pelo Green Building Council (USGBC). Em função disso, usa os recursos naturais visando a economia energética. Por exemplo, a cobertura do prédio é composta de 48 grandes estruturas de aço que se movem como asas ao longo do dia, de acordo com a posição do Sol, e servem de base para painéis fotovoltaicos, otimizando a captação de energia solar. Além disso, a água da Baía de Guanabara é empregada na climatização das áreas internas e reutilizada no espelho d´água. Para isso, seis bombas instaladas no subsolo do prédio retiram as águas frias do fundo da Baía (em média, a temperatura encontrada no mar do Rio de Janeiro está entre 18°C e 24°C) para serem usadas na troca de calor no sistema de refrigeração. Isso reduz bastante o consumo de energia porque dispensa o emprego de equipamentos elétricos e o consumo de água potável em torres de resfriamento.

Depois de filtrada, a água é armazenada nos espelhos d’água que envolvem o edifício e devolvida à Baía, em forma de cascata nos fundos do prédio, como gesto simbólico. A presença de espelhos d’água não tem apenas a função estética, também contribui para proporcionar conforto térmico na área próxima ao jardim, com redução de até 2ºC frente à temperatura ambiente.

Espaços interativos

Como um museu de ciências dedicado a explorar as possibilidades de construção do futuro, a exposição principal tem cinco perguntas que norteiam o percurso narrativo: De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? Como queremos conviver nos próximos 50 anos? Para os idealizadores do Museu, o conceito fundamental é que o amanhã não é uma data no calendário: é uma construção, e começa hoje. As escolhas feitas no presente determinam o leque de amanhãs possíveis.

A mostra de longa duração se divide em cinco áreas: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhã e Nós. Elas resultam em mais de 50 experiências diferentes. Em cada uma delas, o público tem acesso a um panorama geral sobre os temas tratados e poderá aprofundá-lo, se tiver interesse. A tecnologia funciona como suporte para a expografia, contribuindo para enriquecer da exposição. O conteúdo do museu foi elaborado por um time de mais de 30 consultores brasileiros e internacionais de diversas áreas. A entidade tem parceria com algumas das principais instituições da ciência no Brasil e no exterior, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Massachusetts Institute of Techonology (MIT), entre outras.

Por meio de ambientes audiovisuais, instalações interativas e jogos criados, o visitante é convidado a se engajar, por exemplo, em uma reflexão sobre a era do Antropoceno, quando o homem se tornou força planetária capaz de alterar o clima, degradar biomas e interferir em ecossistemas. São abordadas questões como o crescimento da população; o aumento da longevidade; os padrões de consumo; as mudanças climáticas; a manipulação genética e bioética; a distribuição de renda; os avanços da tecnologia e as alterações da biodiversidade. Tudo é representado na expografia do museu, com curadoria do físico Luiz Alberto Oliveira, que é doutor em Cosmologia. O designer Ralph Appelbaum assina a concepção museográfica e Andres Clerici, a direção artística.

O projeto é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho. Tem o Banco Santander como patrocinador máster, a BG Brasil como mantenedora e o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria do Ambiente, e do Governo Federal, por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O responsável pela gestão do Museu é o Instituto de Desenvolvimento de Gestão (IDG), organização social de cultura sem fins lucrativos.

Exposição Principal

O visitante começa sua experiência na área Cosmos. Em ambiente fechado em forma de ovo, com projeção em 360 graus, o público faz viagem sensorial pelo universo em todas as suas escalas – das partículas microscópicas às galáxias mais distantes. Em seguida, no espaço chamado Horizontes Cósmicos, aprofunda conhecimentos com o auxílio de telas interativas individuais. Na área Terra, três cubos de 7 x 7 m representam as três dimensões da existência: Matéria, Pensamento e Vida. Neste último, o DNA, elemento comum a todas as espécies, está representado no exterior. No interior, a diversidade da vida na Mata Atlântica surge em fotos produzidas durante três expedições realizadas para o Museu do Amanhã.

A parte central do percurso narrativo é dedicada a pensar o hoje. Totens com mais de 10 m de altura formam o Antropoceno com conteúdo audiovisual sobre ações do homem no planeta para despertar no visitante a consciência do papel que desempenha. Entre os totens, quatro “cavernas” convidam a entender mais sobre o tema. A área Amanhã, com três ambientes para experiências coletivas, é representada pelo entrelaçamento de seis tendências: mudanças climáticas extremas, alteração da biodiversidade; crescimento populacional e aumento da longevidade; maior diferenciação e integração da produção; criação de novos artefatos e materiais, em função do avanço da tecnologia e expansão do conhecimento. A última área, chamada de Nós, fecha percurso de visitação de forma simbólica com uma experiência de luz e som.

Outras áreas do Museu do Amanhã

Além da exposição principal, o prédio tem espaços para mostras temporárias e auditório com 400 lugares. Abriga o Laboratório das Atividades do Amanhã, ambiente coletivo de experimentação e espaço para exibição de projetos e protótipos, e o Observatório do Amanhã, que irá exibir, catalogar e repercutir relatórios e informações das pesquisas científicas e tecnológicas em temas relacionados ao museu.

O Museu do Amanhã proporcionará visão acessível dos processos complexos que estão alterando o planeta. Na sondagem e experimentação de novos panoramas e convivências, o espaço se converte em instrumento de educação que aponta cenários em transformação de um futuro próximo – possibilidades produzidas no presente com impacto sobre as novas gerações.

 

Fonte: http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/Arquitetura/noticia/2015/12/museu-do-amanha-conheca-o-projeto-ousado-e-sustentavel.html

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